A Relação entre a culinária e a primeira infância

Olá queridos seguidores,Hoje resolvi postar sobre uma experiência muito significativa entre mãe e filha.

 Eis que a semana passada eu e Maitê Maria resolvemos nos divertir na cozinha, utilizando-nos de receitas fáceis e de momentos com muita diversão, meleca e arte culinária. E o resultado foi um delicioso bolo de iogurte natural com frutas vermelhas- receita no final do post-. E alguns seguidores podem estar se perguntando o que a culinária tem a ver com o universo de uma criança de 2 anos, já que havia prometido que iríamos discutir mais sobre essa idade nos posts mais recentes.Afirmo como mãe e especialista em desenvolvimento infantil que possibilitar a participação infantil em atividades manuais – como a culinária -, no contexto familiar e com o envolvimento dos pais tem tudo a ver com o momento de descobertas, experiências e vivências de uma criança de 2 anos ou mais- 3, 4,5, 6 anos, primeira infância-.

Nessa fase, a exploração de todas as possibilidades que o meio oferece, a imitação das atividades que são realizadas pelos pais, a vivência de ‘desafios’, o sentimento de ‘independência’ ao fazer alguma ação, e a convivência afetiva e social com as pessoas que a criança ama são situações que geram muito prazer para os pequenos. E sabemos que onde há prazer e motivação interna há também muita aprendizagem, muito bem estar e qualidade de vida.   E para provar ainda mais essa ‘teoria’, decidi elencar,

abaixo, alguns pontos importantes que conseguimos em uma atividade cotidiana como fazer um bolo com os nossos pequenos:

  • Sentir e perceber diferentes texturas, sabores, cores e formas ao manusear os diferentes ingredientes e materiais/instrumentos domésticos, como ovos, farinha, iogurte, óleo, colheres, formas, entre outros. O contato direto com os diferentes objetos domésticos e alimentos possibilita que a criança refine, livremente, as suas competências/habilidades motoras, sensoriais e cognitivas.
  •   Possibilitar a autonomia da criança ao permitir, por exemplo, que ela pegue e abra, sozinha, o saco de farinha, que ela pegue os ovos na geladeira, que ela mexa a massa do bolo com a colher e que ela coloque a massa na forma. Para a criança pequena, sentir-se autônoma e perceber o quanto é capaz de executar ações sozinha, faz ‘desabrochar’, ainda mais, a sua motivação e o seu interesse em crescer e continuar explorando e experimentando todas as possibilidades que o meio oferece.
  •  Compreender que toda atividade é composta por etapas e que temos que obedecer a sequência das mesmas. Essa aprendizagem é importantíssima e influenciará no planejamento mental e motor de outras ações.
  •  ESPERAR!  Para uma criança pequena ESPERAR é algo extremamente difícil, não é mesmo? E a atividade da culinária, de qualquer forma, exigirá essa ação da criança. A massa do bolo precisa ir ao forno, assar, para que depois possa ser comida. Atualmente, com a Maitê Maria, eu utilizo as vivências com a culinária para exemplificar que ela terá que esperar ‘um certo tempo’ para adquirir algo que ela esteja desejando e que, ao mesmo tempo, não é instantâneo, como, por exemplo, esperar a comida esfriar para depois comer. Sendo que essa mesma ação de ESPERAR relaciona-se diretamente com a experiência TEMPORAL. Ou seja, uma vivência bem ‘concreta’ de que as atividades ocorrem em um ‘tempo cronológico’ e são constituídas por um começo, meio e fim.   
  • Gerar a vivência do LIMITE. A culinária precisa ser vivenciada na cozinha, envolvendo a utilização de um instrumental específico. Esse aspecto pode até ser óbvio para os adultos, mas não é para as crianças pequenas. E aprender o conceito de limite e de especificidade em uma atividade concreta e divertida é muito mais prazeroso.
  •    Compreender concretamente, sobre o PROCESSO DE TRANSFORMAÇÃO. A mistura de diferentes ingredientes- sólidos e líquidos- = massa líquida = massa sólida/bolo.
  •      Gerar o sentimento de responsabilidade individual e mútua. A criança pode ficar responsável por algumas etapas da atividade, como, por exemplo, colocar todos os ingredientes no refratário. E os adultos por outras, como, colocar e tirar o bolo do forno. E, aos poucos, a criança passa a compreender que uma atividade pode ser realizada tanto diante da participação individual, como da mútua.  
  •      Convívio afetivo, social, cultural entre filhos e pais. Uma das principais bases afetivas e sociais é construída, justamente, diante da convivência familiar entre pais e filhos. Essas lembranças afetivas poderão ser utilizadas no futuro pelos nossos filhos, principalmente, como um recurso que aumente a resiliência dos mesmos nos momentos de dificuldade. Recordar as vivências familiares, guiadas pelo amor, respeito, admiração e muita diversão acalenta qualquer coração e alma!
  •     Demonstrar para pais e filhos que a ‘sujeira’, ‘a meleca’, os ‘imprevistos’- Maitê Maria despejou toda a primeira mistura no chão-, ‘as incertezas’ sempre farão parte de todo o processo de crescimento, educação e aprendizagem característicos do mundo infantil e materno.

        Além de todos esses aspectos pontuados, não posso deixar de frisar sobre a ‘qualidade’ que uma atividade manual e livre tem no dia a dia de nossos filhos. Cozinhar é uma atividade tipicamente humana e que transmite, por si só, afeto, cultura, união, a noção de repartir e de compartilhar.      Noções e valores que, para serem aprendidos e assimilados pelas crianças, dependem de ações realizadas em conjunto e com as pessoas que são afetivamente significativas para os pequenos. Nenhum recurso eletrônico e típico de nossa sociedade atual dará essa vivência e aprendizagem, com uma base afetiva e social, para a criança.    E o convívio familiar é insubstituível! As atividades de culinária extracurriculares podem até se preocuparem com vários aspectos que citei acima, mas cozinhar com a família, de forma livre, sem exigência de nenhum desempenho e/ou habilidade- ‘o carma’ de nossa atual sociedade-, contando com o principal ingrediente que é o AMOR VERDADEIRO entre pais e filhos, é, sim, uma ação incomparável.   Até porque a maior preocupação que as atividades curriculares/extracurriculares- mesmo as manuais/artísticas- apresentam atualmente é como favorecer e potencializar o desenvolvimento COGNITIVO da criança. E cognição sem afeto é como um pão de queijo mineiro sem queijo. Ou seja, impossível achar que a criança necessita somente de uma expressão máxima cognitiva. Todos os aspectos são igualmente importantes! Assim, como todos os ingredientes para uma receita!Abaixo segue a receita e espero que seja um incentivo para potencializarmos os momentos com os nossos filhos que estão na primeira infância.
Ingredientes:
2 copos (+/- 170g) de iogurte natural  
2 ovos
2 copos de açúcar- eu optei por meio copo de açúcar mascavo e um pouco de mel
2 colheres de chá de baunilha
Meio copo de óleo vegetal
4 copos não cheios de farinha de trigo
1 colher de sopa de fermento químicoFrutas vermelhas ou gotas de chocolate – ingredientes opcionais-
Preparo:
Misturar os ovos, o óleo, o açúcar, a baunilha e o iogurte em uma tigela. Em outra, misturar a farinha e o fermento. Acrescentar os ingredientes secos aos úmidos, até a completa absorção. Após essa etapa completa, acrescentar os ingredientes opcionais.Forno aquecido a 190º e tempo médio de 40 a 45 minutos. O bolo deve ficar bem dourado por cima para ser retirado do forno.BOM APETITE e até o próximo post, um grande beijo, Tetê e Maitê Maria

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