Minha história de luta e vitória: uma perda gestacional e um prematuro

História de Aline 

Em dezembro de 2017 descobri que estava grávida, minha gravidez foi PERFEITA (tirando os enjoos comuns de gravidez). Eu estava grávida de uma menina, a minha Manuela!  Eu não engordei muito, apenas 7kg, não fiquei inchada, não precisei parar de trabalhar ou mudar muito a minha rotina, foi tudo muito bem. Fiz todo o pré natal certinho, todas meus US era com doppler, enfim, fizemos tudo que poderíamos fazer para manter uma gestação saudável. Porém quando cheguei nas 35 semanas, eu comecei a sentir fortes dores do lado direito do abdômen. Conversei com meu médico fizemos alguns exames e eu estava com pedra no rim direito, esse motivo explicava minha dor, eu estava com cólica de rins e a dor era insuportável e com a gravidez já no final. Minha bebê já toda formada e grandinha poderia piorar as dores. Enfim, fiquei internada para controle da dor, o que as vezes era incontrolável, eu já estava tomando um remédio abaixo da morfina para a dor, e não adiantava nada. Eu fiquei internada praticamente até as 38 semanas. Quando completei 37 semana, uma segunda feira, eu implorei pro meu médico fazer o parto   porque eu já não aguentava mais de dor no “RIM”, mas ele não permitiu fazer, disse que iriamos fazer na outra segunda quando entrasse na 38ª semana, que era menos arriscado para o bebê e que eu poderia aguentar mais uma semana com essa pedra. Na quinta feira antes de entrar na 38ª semana eu melhorei bem da dor e então meu médico me deu alta, pediu pra ir pra casa, pra eu relaxar que na segunda-feira iriamos fazer o parto e que era pra eu me internar segunda as 07hs da manha. Fui pra casa, organizei algumas coisas já para segunda feira e estava bem ansiosa, mas na sexta feira dia 24/08/2018 eu comecei a sentir as dores todas de novo, só que agora estava muito pior, eu não conseguia me mexer de jeito nenhum, parecia que estava rasgando tudo dentro de mim, eu já não sabia mais o que era dor do rim ou se poderia ser do parto, eu já estava perdendo os sentidos de tanta dor.Então corremos de novo para o hospital, entrei pela emergência, os médicos  já me conheciam afinal eu fiquei internada um tempão lá, me mandaram fazer uma US de urgência e aí começou nosso pesadelo real, minha filha com 37 semanas + 4 dias estava sem movimentos fetais e sem batimentos cardíacos, minha menina tinha falecido ainda dentro da minha barriga. Imediatamente ligaram para o meu médico, ele chegou muito rápido no hospital, eu e meu marido ainda sem entender muita coisa conversamos com ele, ele me disse que o mais seguro seria esperar o corpo expelir, um parto normal, mas eu não tinha condições disso. Pedi pra ele fazer uma cesária por que eu não ia aguentar esperar. Meu médico aceitou minha vontade, eu entrei para o centro cirúrgico, pedi para que meu marido não entrasse porque seria uma momento muito triste, quando estava prestes a iniciar a cesária eu pedi pra me colocarem pra dormir, eu não queria ver nada. E assim foi feito. 0:10 minha filha nasceu, com 48cm e com 2,950Kg.Quando os médicos abriram minha barriga pra cesária, outro espanto, eu estava com muito, mais muito sangue no abdômen, então eles viram que meu figado estava rompido, havia uma rutura de quase 12cm e mais 2 bolhas prontas pra romper. Ou seja, minha filha faleceu porque parou de ir sangue pra ela pois eu estava com uma hemorragia interna, e a unica coisa que eu senti foi a dor, não tive mais nenhum sintomas de hemorragia. Os médicos fizeram o possível para parar  o sangramento, conseguiram diminuir bem o fluxo da hemorragia, porém ainda tudo era incerto sobre minha vida. Foram avisar meu marido e perguntaram se eu tinha batido ou caído, ou até mesmo sofrido um acidente que pudesse ter batido o lado direto, porque uma lesão daquele nível não acontece do nada. Mas comigo não tinha acontecido nada, eu tinha passado as ultimas semanas deitada no hospital e o ultimo dia deitada em casa. Resumindo, eu fui liberada para ir para o quarto só as 7horas da manha do outro dia, meu marido ficou lá fora com o dor da morte da nossa filha e com a incerteza sobre a minha vida ou até mesmo como eu voltaria da cirurgia, eu tinha perdido muito sangue. Quando eu voltei, eu não sabia do fígado, eu não estava entendendo o que tinha acontecido, eu só queria chorar, mais eu sentia muita dor pra chorar também, além da cesária o meu figado doía muito, e aquela dor que eu sentia antes não era o rim, e sim o figado (e não, não foi erro médico, todos os meus exames de sangue e imagem não apontavam nenhum problema com o figado). Enfim não fizemos velório para minha anjinha porque nem eu nem o pai queríamos, eu não podia sair do hospital também, fique internada por mais 15 dias mais ou menos fazendo muitos exames e me recuperando.Os médicos achavam que eu iria morrer, e aí foi minha primeira vitória, eu consegui me recuperar, sair do perigo. 
A dor de tudo isso foi terrível, chegamos tão perto de te-la nos braços e agora ela estava tão longe, nenhuma justificava médica poderia acalmar meu coração. 
 O pior momento foi sair do hospital com os braços vazios. Esse momento pra mim fui como se eu tivesse morrendo ali, naquele momento. Eu não imaginei que seria tão difícil sair daquele hospital, nesse momento meu mundo acabou.
Além de cuidar no meu luto, precisava cuidar da minha saúde, afinal estava com hematomas no fígados que poderiam me dar uma nova hemorragia a qualquer momento. 
Fui em vários médicos, fiz muitas investigações sobre várias doenças que podem acometer a gestação como Trombofilias, pré eclâmpsia, síndrome HELP, enfim, fiz tudo, muitos exames consegui fazer pelo meu plano de saúde, outros paguei particular, e nada… nenhum exame apontou qualquer possível problema. Estava em contato com vários especialistas e nenhum conseguia explicar o que tinha acontecido diante de todos os exames normais. Fiz tanto exame, que alguns nem sabia que existia, fiz acompanhamento com 9 especialidades de médicos, e nenhum conseguiu fechar um diagnostico. 
Com isso era muito arriscado tentar engravidar de novo, mas eu e meu marido decidimos que iriamos tentar, os médicos também me apoiaram, mas sempre me lembravam dos riscos de acontecer tudo de novo, uma vez que não sabíamos como tratar. Novamente fiz vários exames para iniciar as tentativas, incluindo exames de imagem pra ter certeza que meu figado não tinha mais nada, nenhum hematoma por menor que fosse, e de fato não tinha nada, 100% recuperado, com todos os exames normais foi liberada por todos os médicos. E depois de 4 meses engravidei do meu filho, Pedro Lucas. Descobri muito no começo, com 4 a 5 semanas mais ou menos. Quando estava com 7 semanas comecei a sentir novamente a dor que eu senti no final da gestação da Manu, a dor do lado direito.Novamente meu mundo desabou, corremos pro hospital, exames daqui, exames dali e novamente havia um hematoma no meu fígado, fiquei com muito medo de perder meu bebe e muito medo de morrer, se meu figado rompesse de novo, eu provavelmente não aguentaria. Então a partir daí tomamos uma decisão, eu me afastei do meu emprego e fiquei de repouso, a ideia era repouso até o bebe nascer, fazia exames de sangue e imagem tanto do bebe como do figado a cada 15 dias para monitorar. Passei a gestação muito nervosa,com muito medo de acontecer tudo de novo.  A gestação toda foi em casa, sem poder fazer absolutamente nada. Mas apesar de tudo correu tudo bem até as 34 semanas, quando passei mal, a dor do lado direito aumentou, o nervoso aumentou e tudo mudou.Novamente fomos correndo para o hospital, fiquei internada fazendo exames por 1 semana para controle e avaliação materna e fetal, quando completei 35 semanas a medica me informou que estava mais seguro fazer o parto, pois estava mais seguro para o meu bebe aqui fora do que na minha barriga.  Eu já tinha tomado a injeção para amadurecer o pulmão, mas mesmo assim havia a possibilidade do meu bebe precisar de ajuda pra respirar. 
E assim foi feito, meu parto, novamente cesária, agora feito com 35 semanas, o parto em si correu tudo bem, mas quando o Pedro nasceu já começou a ficar roxo, não conseguia respirar. E de novo eu me apaguei em oração e só pedia pra Deus deixa meu filho comigo, não leva-lo também pois eu não aguentaria tudo de novo, eu pedia muito também pra Manu ajudar o irmão dela a sobreviver, porque eu tinha certeza que ela estava ali com a gente. 
Não consegui pegar meu filho no colo, tive contato visual com ele por uns 6 segundos e logo já tiveram que leva-lo porque ele precisava de ajuda pra respirar. Eu fiquei tão nervosa que nem o calmamente que me aplicaram pra eu dormir para dar o tempo da anestesia passar fez efeito, eu fiquei acordada até a hora de ir para o quarto e ter noticias do meu bebê. Quando cheguei no quarto me disseram que o Pedro teria que ir pra UTI, mas teria que ser transferido para outra cidade, dava uns 30 minutos da minha cidade, ou seja, eu teria que ficar internada por uns 3 dias ainda no hospital na minha cidade, e ele teria que ir pra outra. Meu marido foi com ele, e ficou com ele todo o tempo, até que eu recebi alta no 3º dia após o parto e fui encontrar meu bebe. Tudo o que eu queria era sair com meu filho  nos braços daquele hospital, infelizmente não consegui tão fácil ainda, mais eu estava indo encontra-lo e tinha certeza que em breve esse momento chegaria. 
Quando eu cheguei na UTI ele estava cheio de aparelhos, eu me assustei um pouco, mais logo o medico veio e me disse que ele estava bem e que em breve teria alta para o quarto monitorado. Eu fiquei com ele o dia inteiro, me deixaram pegar ele no colo um pouco, foi uma sensação unica de felicidade e alivio ao mesmo tempo, logo no outro dia ele já foi para o quarto monitorado, aí eu pude dar banho nele, dar mama, ficar mais com ele no colo porque ele não estava mais no oxigênio, ele ficou no hospital por mais 4 dias, foram 7 dias no total. Recebemos alta já era noite, eu achei que nem iriamos receber alta mais aquela hora, mais quando a medica chegou e me disse que íamos embora eu não sabia se eu chorava se eu ria o que eu faria. Fiquei com medo de acontecer alguma coisa com ele em casa, fiquei cm medo de não saber cuidar, mais ao mesmo tempo sente uma paz imensa no meu coração e na minha alma. 
Quando chegamos em casa, a primeira coisa que eu fiz foi apresentar o quarto dele pra ele e colocar ele no bercinho dele, pra ele sentir que ali era o cantinho especial dele. Graças a Deus, hoje eu meu filho está com 12 semanas de idade cronológica e 7 semanas de idade corrigida, está muito bem, se desenvolvendo super bem de acordo com a idade corrigida. Ah ele já dorme a noite inteira rsrs.  
Agradeço muito a Deus por me dar esse presente pra cuidar e amar, agradeço muito ao meu marido por estar do nosso lado incansavelmente, e agradeço muito a Manuela que me carregou no colo e me ensinou a ser mãe, e se hoje eu sou mãe do Pedro,  se eu não desiste, se eu tive fé pra tentar de novo, se eu tive força pra vê-lo numa UTI foi porque ela sempre está comigo. 
A força de uma mãe de anjo e de mães de UTI é imensurável. 
Obrigada, 
Aline Figueiredo.

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