O valor do seguimento oftalmológico

Ana Vittoria descobrindo o mundo após o uso dos óculos.

Muito cedo, assim que abre os olhos, o bebê olha ao redor ou busca uma fonte de luz. Rapidamente, ele tenta estabelecer o contato de olho e logo depois esboça tentativas de visualizar sua mão. Essa atitude visual dá início ao desenvolvimento da visão e à descoberta do mundo que o rodeia. Em pouco tempo, ele tentará agarrar o objeto que visualiza e, assim que conseguir, trará o objeto para a boca e para perto dos olhos. Assim, o bebê constrói suas percepções a respeito dos objetos, sua forma, tamanho, cor, sons e movimentos que podem produzir. Essa atenção visual para a face do adulto e para os objetos ao seu redor, são os propulsores para o desenvolvimento da aprendizagem motora, cognitiva, social/comunicativa e afetiva.

Portanto, o cuidado com a saúde ocular dos bebês, a prevenção e tratamento de qualquer alteração é de fundamental importância.

Para nossos bebês prematuros, de acordo com o Conselho Federal de
Medicina, a Sociedade Brasileira de Pediatria, a Sociedade Brasileira de
Oftalmologia Pediátrica e o Conselho Brasileiro de Oftalmologia os bebês que nascem com peso de nascimento menor que 1.500 gramas e/ou idade
gestacional menor que 32 semanas devem ser examinados por oftalmologista especializado entre a 31ª e 33ª semana de idade gestacional e, no seguimento desses bebês, a frequência das avaliações oftalmológicas, é determinada pelos achados do primeiro exame.


Essa avaliação é realizada para acompanhar o desenvolvimento da retina do bebê, prevenir alterações e tratar o mais precocemente possível a retinopatia da prematuridade, quando essa estiver presente.

A maioria dos bebês prematuros, não desenvolverá a retinopatia da
prematuridade, mas poderá desenvolver outras alterações visuais como
estrabismo e erros de refração. Essas alterações são diagnosticadas por
oftalmologista especializado e podem ser tratadas desde os primeiros meses
de vida, garantindo um adequado desenvolvimento da visão na maioria dos
casos. Assim, destaca-se a importância do seguimento oftalmológico dos
prematuros, pelo menos a cada 6 meses. No entanto, dúvidas sobre o
desenvolvimento visual dos bebês podem ser relatadas ao pediatra, a qualquer momento, e ele realizará uma avaliação inicial e fará os encaminhamentos necessários ao oftalmologista, visto ser este o profissional que poderá avaliar e indicar o melhor tratamento.


Mas como essas dúvidas podem surgir?


Os pais podem observar se o bebê estabelece o contato de olho, se o bebê se
interessa em dirigir os olhos para a face dos pais, se ele sorri em resposta ao
sorriso dos pais, se ele se interessa em olhar para os brinquedos que lhe são mostrados, se ele acompanha com os olhos os movimentos de um objeto, se
ele tenta levar as mãos em direção ao brinquedo apresentado a ele ou a um
móbile, se ele observa visualmente as próprias mãos. Um bebê também
demonstra que está usando sua visão quando, ao olhar para um objeto,
movimenta as perninhas ou leva as mãos à boca. Um bebê que usa seus olhos para explorar o ambiente, quando deitado de bruços, tentará manter a cabeça elevada, o que também constitui um indicativo do interesse em olhar. Todas essas condutas são observadas durante os 3 ou 4 primeiros meses, e são importantes indicativos do uso da visão. É comum também, até por volta dos 6 meses, que os bebês desviem um ou ambos os olhos quando tentam olhar para um objeto próximo. Mas, a partir dos 3 meses, esses desvios ocorrem apenas ocasionalmente e, se forem constantes, o oftalmologista deve ser consultado.


Tanto o desvio ocular como os erros de refração, podem ocorrer em um ou em ambos os olhos e, se não corrigidos, podem trazer prejuízos para o
desenvolvimento do bebê.

Como vimos, a visão se desenvolve rapidamente nos primeiros meses, o que
reforça a importância da avaliação oftalmológica diante desses sinais. Um bebê prematuro, poderá não demonstrar interesse em usar os olhos, por ter, por exemplo, um erro de refração chamado hipermetropia, que prejudica a visão para perto. Em muitos casos, a prescrição de óculos pelo oftalmologista, resolve o problema e dá ao bebê a possibilidade de usar e desenvolver a visão.

Texto escrito e elaborado pela Dra Heloísa Gagliardo, terapeuta ocupacional e integrante da equipe interdisciplinar @prematurosbr

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